O sol de abril de 2026 mal desponta no horizonte, mas o calçadão da Avenida Vieira Souto já pulsa. Não é o burburinho dos turistas que, mais tarde, lotarão a Praia de Ipanema, mas o passo firme de quem faz da orla sua academia particular. Esse contraste entre a tranquilidade matinal e a agitação que toma conta das ruas como a Visconde de Pirajá e a Garcia D'Ávila ao longo do dia é a essência de Ipanema, um bairro que, desde sua fundação como 'Villa Ipanema' em 1894 pelo Conde de Ipanema, soube se reinventar sem perder a alma carioca.
Foi nesse areal, outrora tomado por pitangueiras e cajueiros, que o engenheiro Luiz Raphael Vieira Souto traçou as primeiras ruas em 1888, batizando uma delas de Rua 20 de Novembro em homenagem à Baronesa de Ipanema. A chegada da primeira linha de bonde em 1902 impulsionou a urbanização e conectou o bairro a outros pontos da Zona Sul, como Copacabana e Leblon, consolidando Ipanema como um endereço desejado. Figuras como o cronista João do Rio, que morou na Rua Vieira Souto no início do século XX, já anteviam o charme que a região exalaria.
Hoje, quem caminha pela Rua Farme de Amoedo, conhecida por sua atmosfera inclusiva e vibrante, percebe que o bairro é um mosaico de histórias. A Praça Nossa Senhora da Paz, que no século XIX integrava o projeto de urbanização do Barão de Ipanema, hoje abriga uma estação de metrô e uma feira livre às sextas-feiras. Essa capacidade de absorver o novo sem apagar o passado é o que mantém Ipanema no topo do imaginário carioca e, consequentemente, do mercado imobiliário premium. Em dezembro de 2025, o preço médio do metro quadrado em Ipanema atingiu R$ 25.302,00, uma valorização de 12,5% no ano, superando a média nacional. Essa alta, segundo Leonardo Mesquita, presidente da Ademi-RJ, é reflexo da atração turística do Rio e de novos empreendimentos que surgem na região.
























